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7.9.10

6.9.10

A guerra bate à porta: relações entre judeus e muçulmanos em Marselha durante a Guerra do Golfo (1991)


(Por Maud S. Mandel)
No dia 2 de agosto de 1990, o Iraque invadiu o Kuait, desencadeando a primeira crise no Golfo Pérsico. No mês de janeiro de 1991, diante do fracasso das sanções econômicas da ONU em forçar a retirada do Iraque, os Estados Unidos e uma coalizão de trinta e quatro nações invadiram o país. Embora Israel não tenha participado, esta breve guerra – finda em 28 de fevereiro – não pôde deixar de atingir o permanente conflito árabe-israelense. Não apenas o presidente do Iraque, Saddam Hussein, decidiu jogar mísseis em Tel Aviv, dando início a uma crise secundária acerca do potencial envolvimento de Israel, como também apelos à solução da questão palestina como parte de um arranjo regional circularam amplamente. Para muçulmanos e judeus, observando de longe os acontecimentos, a Guerra do Golfo tornou-se então mais do que um conflito ligado à independência do Kuait, a direitos sobre o petróleo ou ao imperialismo ocidental. Tornou-se, em vez disso, um termômetro das relações judaico-muçulmanas ao redor do mundo. (

O parágrafo acima abre o artigo de Maud S. Mandel publicado no número 3 da revista eletrônica do NIEJ (Núcleo Interdisciplinar de Estudos Judaicos, do Instituto de Filosofia e Ciências Sociais da UFRJ). Vale a pena entrar e ler, entre outros articulistas, Marcio Seligmann-Silva analisando o filme A Fita Branca.

5.9.10

Rosh Hashaná em postais dos anos 20


Troca de culturas e idish na França (por Lilian Brower-Gomes)

Em julho desse ano, o encontro intercultural de Bréau foi excepcional, pois além das atividades regulares das oficinas de línguas, dança (coreografia e tradicional idish), música klezmer, escrita, caligrafia, os ateliers de cozinha idish e de fabricação de pão abriram um novo caminho na ligação entre natureza e cultura, entre trabalho manual e intelectual. Outra troca rica foi a da oficina de música klezmer e música d'oc [ligada à langue d’oc, ou língua d’oc, grupo de dialetos franceses falados desde a Idade Média no sul da França]. Sem misturar os estilos, a oficina concretizou o nosso sonho de trocas entre culturas. O clímax dessas trocas e do "fazer junto" foi a realização da peça de I. L. Peretz , "Uma noite no velho mercado", na praça da cidade.

Todas as oficinas - música, dança, canto, teatro, idish - contribuíram com os seus trabalhos, os participantes se vestiram a caráter, o texto foi apresentado em idish, francês, português e em langue d'oc, a prefeitura colocou seu local à disposição para que partes do texto fossem ditas a partir das suas janelas, todas as gerações participaram enquanto diferentes personagens.

Essa peça de Peretz de 1904 nunca foi integralmente montada pois pede mais de cem personagens, crianças, jovens, adultos e velhos, e um cenário e um jogo de luzes extremamente sofisticado, se seguimos as indicações do autor. Montamos uma versão curta em uma semana, com a participação de cerca de 60 pessoas (não ao mesmo tempo), entre músicos, cantores e bailarinos. A língua de base foi o francês mas muitas réplicas foram em idish, algumas em português e algumas em langue d'oc. Mas mesmo se esse ano a base foi o francês foi uma grande emoçao a presença de tantas outras línguas.

A peça durou pelo menos 1h15 minutos e deu para passar a emoção e a tensão do texto- tal como entende Batia Baum, professora e tradutora do idish para o francês. A peça não é fácil de ser compreendida, pois não há uma trama e pequenas cenas dão acesso numa esfera simbólica à complexidade das relações políticas, religiosas, sociais e pessoais em planos "intra e extra" judaicos. Peretz havia participado de um trabalho de pesquisa junto às populações judaicas na Polônia, principalmente no distrito de Tomashover. A peça é abrangente e aborda temas humanos mais gerais, dentro dos parâmetros judaicos tradicionais mas também a partir da ótica do advogado de cidade grande que ele era.

Batia Baum acha que Peretz pensou nessa peça como uma comédia musical e que os textos, escritos em forma de verso, podem ser cantados. É o que vamos tentar fazer ao longo dos cinco anos que vai durar esse projeto. Um tempo para conhecer melhor a obra de Peretz, um tempo para criar um "encontro" entre a cidade do velho mercado e a cidade de Bréau, com suas histórias, suas imagens, ssuas músicas, suas tradições, um tempo para caracterizar a época e seus movimentos culturais, políticos e religiosos dentro do mundo judaico e sua relação com o mundo em geral, um tempo para sair pelo mundo remontando a peça com quem quiser participar.

PS : Sem falar nas oficinas de "tango judio" que se improvisaram na praça a pedido dos participantes, com o Walter Sztajnberg como professor !

3.9.10

Elie Wiesel sobre moralidade: nenhum ser humano é ilegal

Ao falar ao Jerusalem Post de ontem sobre Irã, processo de paz e questões morais, o prêmio Nobel Elie Wiesel, sobrevivente dos campos de extermínio, afirmou que pela primeira vez critica publicamente um governo israelense. Ele condenou a decisão de deportar cerca de 400 filhos de trabalhadores imigrantes não judeus.

"Um pai que não pode alimentar seus filhos tem os direitos humanos tão violados quanto se fosse perseguido politicamene. E nenhum ser humano é ilegal. O ser humano pode fazer algo ilegal, mas não pode ser ilegal...", disse. "E o coração judaico, a compaixão judaica, a moralidade judaica, a consciência judaica? Fui criado numa tradição diferente. Já fui refugiado, de modo que tenho empatia com todos os refugiados". 
 

31.8.10

Em língua galega, a favor de Israel


Vejam essa entrevista do presidente da Associação Galega de Amizade com Israel. Em galego, que é fácil de entender: usa-se o X no lugar do J, o que acaba fazendo o sotaque deles parecer-se com o dos cariocas...

Entrevista en XORNAL DE GALICIA  29.08.2010

Unha entrevista de Ricardo Rodríguez con Pedro Gómez-Valadés

Israelís e palestinos sentarán por vez primeira dende a devastadora operación Chumbo Fundido (2008) a negociar cara a cara en Washington o vindeiro día dous de setembro. Obama quere a solución dos dous estados o antes posíbel. Pero malia o intenso labor diplomático de EE UU, a paz semella estar lonxe. Porén, para Pedro Gómez-Valadés, presidente da Asociación Galega de Amizade con Israel (Agai), "como observador do conflito cómpre ser ideoloxicamente optimista, aínda que os feitos ás veces teimen en demostrar o contrario". A fundación desta organización en 2006, que lle custou en 2008 a expulsión do Bloque Nacionalista Galego, tiña coma obxectivo "dar outros puntos de vista sobre o conflito" palestinoisraelí ao "entender que a información que recibe o cidadán galego non se axustaba en moitas ocasións á obxectividade" e está "condicionada". AGAI naceu tamén para recuperar a pegada das comunidades xudías en Galicia antes do decreto de expulsión de 1492 e loitar contra a banalización e o esquecemento da Shoah, o Holocausto.
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Vostede considera que a visión que se dá do conflito palestinoisraelí é nesgada. En que eidos?
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Este é un conflito no que non hai nin brancos nin negros, senón unha infinita gama de grises. Non é un western de bos e malos, pero téndese a simplificar: israelís malos e palestinos bos. Habería moitos exemplos desa visión nesgada. Vou poñer un dos últimos. O incidente na fronteira norte de Israel e sur de Líbano no que hai un cruzamento de fogo e morre un israelí e tres libaneses a primeiros de agosto. Iso foi recollido coma unha provocación israelí. Hai uns días, saíu o ditame da Finul que asegura que o incidente foi orixinado por unha árbore que estaban cortando os israelís. Agora confírmase que a árbore estaba en territorio israelí e que os que abriron fogo foron os libaneses. De entrada, antes de saber que pasara, xa se acusaba dunha nova provocación a Israel.
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Cal é a solución a corenta e tres anos de ocupación militar de Palestina por parte de Israel?.
O problema debería resolverse con dous estados para dous pobos. Non haberá paz na zona mentres palestinos e israelís non poidan ter estados seguros e estábeis e vivir na mellor das veciñanzas posíbeis. Ese é o horizonte que todas as negociacións se marcaron. Sen dous estados poderá haber tempo de tranquilidade, pero non vai haber paz. En Cisxordania, hai asentamentos que son ilegais para a propia Xustiza israelí. Pero eu penso que ese non é o problema. En Gaza, cando Israel evacúa a faixa en 2005 por completo, levántanse todos os asentamentos. Eu penso que todo é negociábel e todo é resolúbel, aínda que algunhas cuestións son máis difíciles de arranxar. Alén de problemas obxectivos, hai problemas vinculados a cuestións moi emotivas, coma Xerusalén, que poden presentar dificultades. Pero coido que a resolución de todos os problemas no seu conxunto –incluída a indemnización a todos os israelís que foron expulsados dos países árabes despois de 1948, e cuxas propiedades foron confiscadas– é posíbel sempre que non haxa condicións previas.
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O Cuarteto para Oriente Próximo pide que se respecte para Palestina a liña de 1967, que inclúe Xerusalén Este, anexionada por Israel..
Si, efectivamente, o Cuarteto expresouse así, e esa é unha das liñas que están enriba da mesa. Na miña opinión, é difícil que a liña de 1967 estritamente vaia ser a fronteira definitiva. Hai propostas de intercambio de territorios que estaban en Cisxordania e nos que agora hai asentamentos xudeus de 45.000 habitantes por outros que están dentro de Israel para compensar territorialmente os dous estados. Israel propuxo facer unha comunicación terrestre entre Gaza e Cisxordania para que os dous territorios palestinos estivesen conectados. Iso sería unha cesión de territorios que non estaba contemplada en ningún acordo previo. Non hai que estar negociando pensando en como responsabilizar á outra parte do fracaso das conversas. É irreal que en Washington se vaian solucionar todos os problemas de vez.
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É posíbel que o punto de partida para estas negociacións sexa tan xusto para Palestina coma para Israel?.
Non só é posíbel, é que ten que ser. Se non fose así, o conflito non sería nunca resolúbel. A parte palestina non está soa. Na comunidade internacional, ten importantes valedores, coma a Liga Árabe e mesmo EE UU, que pretende exercer un papel neutral. Hai que ser optimista ideoloxicamente aínda que a forza dos feitos ás veces fai complicado selo. Hai uns días houbo unha xuntanza en Damasco na que participou Hamás, pero tamén outros grupos seculares que tradicionalmente apoiaban á ANP. Xuntáronse para negar a lexitimidade ás negociacións directas e condenar o proceso. Evidentemente, un proceso de paz que non se pode desenvolver en todos os territorios é complicado. Hai un problema interpalestino que teñen que resolver os propios palestinos. Coido que neste proceso haberá chanzos. Haberá un proceso para desenvolver o propio acordo despois de que se acade. Pero se en Gaza Hamás non recoñece a soberanía da ANP, complicarase todo. Hai un factor engadido neste proceso de negociación que se abre e non estaba patente dun xeito tan radical en Camp David ou Oslo: o islamismo radical.
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A longa ocupación militar desgastou a poboación en Cisxordania. Non desequilibra iso a balanza a favor de Israel no punto de partida das negociacións?.
Cisxordania está administrada militarmente, pero o medre económico nos últimos dous anos é moi superior ao de calquera país da contorna árabe. A situación mellorou. A maior parte dos palestinos queren vivir en paz e que os seus fillos poidan estudar e traballar e manter unha familia. O desgaste da guerra condiciona os dous lados. Eu coñezo palestinos e israelís. Todos están cansos, esgotados polo conflito. Evidentemente, iso pesa coma unha lousa en calquera proceso de negociación. Pero o que hai que facer é aproveitar ese cansazo colectivo das dúas sociedades por anos de guerra e de morte para avanzar cara a un acordo que non será o ideal para as dúas partes. Israelís e palestinos van ter que facer concesións dolorosas en eidos nos que ningunha das dúas o farían motu proprio. As dúas sociedades, a israelí e a palestina, queren e necesitan a paz. Estas son grandes palabras que logo teñen que traducirse nunha realidade e iso é o máis difícil. Hai un punto que non xustifica o que ocorre actualmente, pero que axuda a entendelo: en 1948, cando naceu o estado de Israel, puido ter nacido o estado palestino. E sesenta e dous anos despois non estariamos a falar do conflito. O problema agroma cando os países limítrofes non recoñecen as resolucións da ONU e inician unha guerra contra o nacente estado de Israel.
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É o ultradereitista ministro de Exteriores israelí Avigdor Lieberman un atranco para forxar un acordo de paz entre as dúas partes?.
O primeiro ministro é Netanyahu e a autoridade tena el. O venres lía unhas declaracións de Lieberman nas que afirmaba que se excluía das negociacións porque cría que estaban condenadas ao fracaso, pero que non as ía entorpecer. O problema de Lieberman ás veces é máis imaxinario ca real. O día que el e o seu partido se neguen a algo en concreto haberá que ver a que se opón. Polo momento, non se sabe se vai ser un problema ou non. O certo é que a moratoria que hoxe revisa o consello de ministros de Israel tiña o apoio do partido de Lieberman. As dúas partes non son homoxéneas, haberá partes dispostas e outras contrarias ao acordo. Pero Netanyahu é un presidente que en Israel ten moita autoridade moral e hai que darlle un voto de confianza.
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Netanyahu aspira nas negociacións a desmilitarizar Palestina e nega o dereito de retorno dos refuxiados palestinos. Non son demandas moi duras de entrada?
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As condicións de partida nacen dunha guerra. Pode ser unha condición dura, pero partindo dunha guerra é unha condición razoábel. A desmilitarización do futuro estado palestino sería provisional, non eterna, até que se dean as condicións de confianza necesarias para esquecer que levan 62 anos en guerra. Se hai un acordo de paz e non tes intención de atacar o veciño, podes pasar 20 anos sen exército. En canto aos refuxiados, ese é outro dos aspectos que ten que ver coa disparidade coa que se trata o conflito. Non hai moito, ditouse unha sentenza do Tribunal de Xustiza Europeo contra os refuxiados grecochipriotas que reclamaban o dereito de retorno e as indemnizacións polas propiedades confiscadas na invasión do 74 dos turcos. O tribunal di que non hai lugar á reclamación. Para Palestina, facer unha concesión no dereito de retorno vai ser doloroso, o cal non quere dicir que o dereito se negue. En calquera acordo final, os palestinos refuxiados poderán volver ao estado palestino que se constitúa. En canto a volver ao territorio do estado de Israel... Penso que esa será unha das concesións [palestinas] do acordo final. A absorción dos tres ou catro millóns de refuxiados palestinos por parte de Israel non é posíbel. Terá que compensarse aos que non poidan regresar.
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Considera que o bloqueo a Gaza é un castigo colectivo de Israel á poboación por ter votado a Hamás, como se sinala no informe Goldstone?
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En política internacional, hai cousas xustas e inxustas. Eu podo dicir que estiven na fronteira israelí con Gaza falando con moita xente e non atopei a ninguén na parte israelí que queira manter o bloqueo. O embargo está estabelecido porque dende 2005 Hamás e outros moitos grupos dende dentro da faixa de Gaza comezaron un conflito de desgaste, co lanzamento de foguetes contra á poboación civil israelí. Penso que un bloqueo non é positivo, pero este foi obrigado. En Cisxordania, dende hai un ano, desmanteláronse máis da metade dos check points porque a situación na zona é tranquila, e as forzas palestinas van asumindo responsabilidades e son máis fiábeis. Así que os controis vanse eliminando porque son incómodos e fan difícil a vida á xente normal. En Gaza, se mañá Hamás renuncia ao terrorismo coma arma política, pasado mañá Israel levantaría o bloqueo.
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As conversas de paz suspendéronse en 2008, tras o inicio da operación Chumbo Fundido contra Gaza, que deixou 1.400 palestinos mortos. O asalto á Frotiña acabou de deteriorar a imaxe internacional de Israel. Obviamente....
Eu lanzo unha pregunta. Antes da operación Chumbo Fundido e do asalto á Frotiña, os medios de comunicación trataban de xeito moi diferente o conflito e responsabilizaban de xeito diferente ás partes? Eu penso que non. Evidentemente, nin a operación Chumbo Fundido nin o asalto á Frotiña beneficiaron a imaxe de Israel, pero a visión da realidade é moi diferente. Eu coñezo correspondentes en Israel que off the record recoñecen que non todo o que eles transmiten dende a zona se publica. Se algo é doadamente utilizábel contra Israel, ten mais posibilidades de ser publicado. Vou poñer un exemplo. Na madrugada deste mércores houbo disturbios no barrio [palestino] de Silwan en Xerusalén. O motivo era a sentenza de derrube de casas árabes en Xerusalén. Iso en calquera outra cidade do mundo non sería noticia porque sería cumprir a lexislación urbanística. Pero aquí politízase. Despois dun proceso de anos de tribunais, hai 22 casas con sentenza de derrube e outras 66 ás que se lle dá licencia con efectos retroactivos.
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Hai organizacións israelís que falan de violencia administrativa de Israel cara os palestinos para expulsalos de Xerusalén Este..
Iso é algo que se di. Eu teño escoitado outras opinións, mesmo que o concello de Xerusalén facilita en árabe a documentación para que se poidan tramitar as licenzas urbanísticas. Se ti entrevistas en Vigo a calquera persoa implicada nun problema urbanístico, a crítica que fará da Administración será esmagadora e poderá ter ou non razón. Nun terreo en conflito coma ese pode haber problemas de interpretación. Eu non penso que se derruben casas para gañar terreo. Se o que queres é gañar territorio, abondaría con ampliar os asentamentos a 60.000 habitantes.
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A ameaza nuclear iraniana é o grande problema exterior de Israel?
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O pobo israelí sufriu o Holocausto e unha ameaza nova non a toma de broma. Irán é un problema pola posibilidade de que se dote de poder nuclear. O seu brazo armado, Hezbollá, e outros grupos pequenos poden cometer atentados sen render contas. Estou pensando nun escenario no que Irán tivese capacidade nuclear para que un grupo pequeno faga estoupar unha bomba sucia no centro de Tel Aviv ou en Xerusalen ou en Madrid. Israel vai atacar Irán? As declaracións públicas son que Israel non pode permitir que a ameaza iraniana se consolide. Que quere dicir iso? O tempo dirao. Eu penso que as sancións aplicadas, se se executan con contundencia e sen vías de auga, poden facer recapacitar a Ahmadineyad.

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30.8.10

Banqueiro alemão incendeia debate sobre imigração com tiradas "racistas"

(por Gonçalo Venâncio, em 30 de Agosto de 2010)

"Todos os judeus partilham um gene comum. E isso faz deles pessoas diferentes das outras." Estas afirmações incendiárias de Thilo Sarrazin, ontem numa entrevista ao "Welt am Sonntag", marcam o regresso do fantasma do racismo à política alemã e em particular ao debate sobre a imigração. Membro do conselho executivo do Banco Central alemão e antigo ministro das Finanças de Berlim, Sarrazin tem a cabeça a prémio depois de todos os partidos alemães terem exigido a sua demissão do Bundesbank.

A chanceler Angela Merkel deu voz à condenação generalizada dizendo que as considerações de Sarrazin são "difamatórias". Guido Westerwelle, ministro dos Negócios Estrangeiros e presidente do FDP - parceiro "júnior" na coligação com a CDU de Merkel -, admite que todas as afirmações que "promovam o racismo ou o anti-semitismo não têm lugar no discurso político" germânico. Também Os Verdes não hesitam em dizer que Sarrazin "prejudica a imagem do banco" e "incita ao ódio" enquanto o SPD, partido de Sarrazin, lida com o incómodo acenando com a hipótese de expulsão. "Se o senhor Sarrazin não abandonar o partido de forma voluntária, vamos iniciar o procedimento de expulsão", disse à "Spiegel" Christian Gaebler.

Apesar da indignação, a verdade é que as palavras de Sarrazin não apanharam ninguém desprevenido. Aos 65 anos, o veterano político alemão tem um currículo extenso de tiradas racistas, especialmente quando o tema é a imigração. Aliás, Sarrazin prepara- -se para justificar os seus argumentos num polémico livro chamado "A Alemanha em Queda". Resumindo o argumento, Sarrazin defende que os imigrantes muçulmanos são menos inteligentes, vivem às custas do Estado e como têm muito mais filhos que os alemães podem tornar-se maioritários absorvendo o país.

Críticas que levaram o presidente da Federação Turca da Alemanha, Kenan Kolat, a pedir a demissão do responsável pelo departamento de controlo de risco do Bundesbank: "É o clímax do novo racismo intelectual e prejudica a imagem da Alemanha", sustenta Kolat. Naturalmente, também o grupo Conselho de Judeus na Alemanha repudia as palavras e argumentos "genéticos" de Sarrazin.

Em Outubro de 2009, Thilo Sarrazin mostrou pela primeira vez ao que vinha. Numa entrevista polémica, disse que 20% da população de Berlim era economicamente dispensável. "Uma grande parte de árabes e turcos nesta cidade, cujo número cresceu devido às políticas erradas, não tem qualquer função produtiva para além de vender fruta e vegetais." No ano passado, Sarrazin escapou à demissão. Agora, tudo aponta para que tenha menos sorte.

26.8.10

Banda do Exército de Israel na Praça Vermelha

Nosso pensamento vai bem longe... mas não vale chorar ao clicar para ver. 

16.8.10

PARA NÃO FALAR COM O ESPELHO (por José Ribamar Bessa Freire 15/08/2010 - Diário do Amazonas)

Escrevo da aldeia Cachoeirinha, em Miranda (MS), onde acabo de presenciar uma operação arriscada. Vi como desmontaram o gatilho de uma arma infernal que já causou mortes e emudeceu vozes, criando um silêncio de cemitério. O gatilho assassino foi desarmado por dois Terena – a professora Maria de Lourdes Elias Sobrinho, ex-empregada doméstica, filha de um índio plantador de milho, arroz, feijão e banana - e seu colega, o professor Celi... Clique aqui para ler mais sobre esta crônica


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(este artigo tem tudo a ver com a consciencia judaica, pois trata do emudecimento forçado de culturas e idiomas; alias, o atual revival do idish no mundo ocidental provavelmente contém, a par da nostalgia, um certo orgulho dos que, embora hoje estejam num lugar social privilegiado, foram vitimas do preconceito e da exclusão no passado recente,...). 

6.8.10

Iranianos e Holocausto



Um website de um grupo cultural iraniano (aparentemente nao-governamental) contém uma historia em quadrinhos em que o Holocausto, "a grande mentira", nunca aconteceu, mas foi inventado pelos judeus. A caricatura antissemita é exemplar ( algumas imagens aqui ) e muita gente protestou, inclusive o Yad Vashem. 


3.8.10

Una entrevista en el infierno, por Diego Rosemberg

O artigo abaixo saiu no jornal argentino Pagina 12 (26/07/2010) e foi enviado por Nelson Kuperman. 

 

La editorial Capital Intelectual acaba de publicar una biografía de Marshall Meyer, que comienza relatando la visita que el rabino y Héctor Timerman realizaron a Etchecolatz, en busca de Jacobo Timerman. Aquí, fragmentos de los primeros capítulos.


Cuando sonó el teléfono, el rabino salió disparado. No le importó que faltaran pocas horas para el inicio del Shabat ni para el servicio religioso que, como todos los viernes por la noche, debía oficiar en la sinagoga de su comunidad, Bet El, en el barrio de Belgrano. Marshall Meyer había escuchado del otro lado de la línea la voz angustiada de Héctor Timerman, que le decía que no sabía dónde habían trasladado a su padre, Jacobo, secuestrado por segunda vez por un grupo de tareas de la dictadura militar, en julio de 1977. Héctor había recorrido Tribunales, la Casa de Gobierno y el Primer Cuerpo del Ejército y en ningún sitio recibía información sobre el paradero de su papá, el director del diario La Opinión, que había desaparecido de su celda del Departamento Central de la Policía Federal. Desesperado, decidió ir a pedir información en persona al comisario Miguel Etchecolatz, Director de Investigaciones de la temible Policía Bonaerense y mano derecha del general Ramón Camps, número 1 en el aparato represivo de la provincia de Buenos Aires en aquellos años oscuros.

El hijo del mítico periodista –que entonces tenía 23 años– no se animaba a ir solo y por eso acudió a Meyer, que estaba conteniendo espiritualmente a su familia desde que los militares habían detenido por primera vez a su padre, el 15 de abril de 1977.

Meyer escuchó con atención el relato de Héctor y no dudó ni un instante en acompañarlo y viajar hasta el mismísimo infierno para disputarle, cara a cara, uno de sus fieles al diablo. En el camino hacia La Plata habían acordado que sólo hablaría Héctor, que preguntaría por su padre y que no entraría en discusiones sobre los motivos de la detención ni el trato humillante que había recibido desde que se lo llevaron. Cuando llegaron a la Jefatura de la Policía Bonaerense debieron soportar una larga espera hasta que Etchecolatz los hizo pasar a su oficina. Como habían convenido, el único que habló fue Héctor: dijo que su padre había sido trasladado, que desconocía su paradero y agregó que su madre tenía los nervios destrozados. Fue un monólogo que duró unos diez minutos hasta que, sin más que decir, el joven calló y la oficina quedó invadida por un silencio que aturdía. Etchecolatz, que exhibía su mejor mirada torva, aprovechó el vacío y apuntó con sus ojos a Meyer.

–Y usted, cura, ¿quién es? –prepoteó el comisario, que recién en 2006 fue condenado a cadena perpetua por los crímenes de lesa humanidad cometidos como funcionario de la dictadura militar que gobernó la Argentina entre 1976 y 1983.

El rabino no se amilanó. Se levantó de su silla, a paso firme dio la vuelta al escritorio que lo separaba de Etchecolatz, se detuvo a escasos treinta centímetros y mirándolo a la cara lo increpó:

–Este cura es un pastor que busca a una oveja de su rebaño y sé que vos sos el ladrón que te la llevaste. Soy el pastor de Jacobo Timerman y vos tenés a mi oveja. No me voy hasta que no me la devuelvas –dijo Meyer, que tuteaba a todo el mundo, aun a quienes despreciaba profundamente. Así había aprendido a hablar castellano en 1959, cuando llegó desde su Nueva York natal a la Argentina, pensando en quedarse apenas dos años y sin sospechar que viviría aquí un cuarto de siglo. La mirada desorbitada de Etchecolatz, de pronto, cambió de destinatario.

Ahora apuntaba a Héctor Timerman, que ante tanta tensión también se había parado. Por primera vez, el policía buscó cierta –pero infeliz– complicidad con él:

–Por bastante menos que esto, acá hay muchos que... –el comisario interrumpió en seco la oración y comenzó a agitar una de sus manos hacia el cielo. A los dos visitantes les quedó claro el significado. No fue ésa la primera ni la última amenaza que recibió Meyer en su estadía en la Argentina. Pero como a todas, le restó –o hizo que le restaba– importancia. Héctor Timerman le pidió por favor al rabino que se sentara y le rogó al comisario para que volvieran a hablar sobre el destino de su padre. Etchecolatz finalmente se sentó y sin abandonar el tono marcial le dijo:

–Vuelva a su casa. A las 15 horas lo van a llamar con una dirección donde podrá ver que su padre está vivo.

Con puntualidad suiza, el teléfono de la familia Timerman sonó ese viernes a las tres de la tarde. Un emisario de Etchecolatz les dio una dirección en el municipio de Quilmes. Hasta allí fueron Meyer, Héctor y Risha, la esposa de Jacobo. Cuando llegaron al lugar advirtieron que se trataba de una comisaría legalmente constituida. Como al religioso no lo dejaron entrar, sólo ingresaron Risha y Héctor, que se preguntaba intranquilo si todo no sería una trampa de los represores para deshacerse del rabino.

Después de un largo rato, llegó un patrullero del que bajó Jacobo, quien se sorprendió al ver a su familia. No los dejaron hablar, sólo pudieron verse las caras durante cinco minutos. No obstante, los Timerman recuperaron cierta tranquilidad: interpretaron que el hecho de haber podido ver a Jacobo con vida en una dependencia legal haría que fuera mucho más difícil para los militares asesinarlo.

Cuando Héctor, Risha y Meyer emprendieron el regreso ya había comenzado a anochecer. Héctor no decía nada, pero aceleraba cada vez más. Quería regresar rápido a la Capital porque con la salida de la primera estrella había comenzado el Shabat; lo mortificaba pensar que por haberlo acompañado a ver a su padre, el rabino no llegara a tiempo para oficiar la ceremonia religiosa en Bet El y, encima, se viera obligado a violar los preceptos religiosos que, entre otras cosas, prohíben viajar a los judíos observantes en el día más sagrado de la semana, aquel que consagran a Dios.

–¿Por qué corrés? –preguntó Meyer, el único que se atrevió a romper el silencio en el viaje de vuelta.

–Es Shabat –quiso justificarse Héctor Timerman.

–Acaso no sabés que para salvar una vida se puede violar cualquier mandamiento. Salvamos la vida de tu papá y sería una pena que nos matemos en un choque. Así que manejá tranquilo, que de la teología me ocupo yo.

Marca de origen

La vida de Marshall Theodore Meyer parecía predestinada desde el mismo día en que nació, el 25 de marzo de 1930. Sus padres, Anita e Isaac, habían elegido llamarlo con ese nombre en homenaje a Louis Marshall, un prestigioso abogado y presidente del Consejo Judío Americano que fue abanderado de la defensa de los derechos civiles de las minorías. Mediante un acuerdo judicial, el jurista había logrado –entre otros méritos– que el entonces hombre más rico de América, el poderoso Henry Ford, se retractara de sus manifestaciones antisemitas vertidas en una serie de ensayos llamada El judío internacional: el problema más grande del mundo.

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Marshall Meyer nació en Flatbush, un barrio neoyorquino del distrito de Brooklyn. Sus abuelos maternos habían llegado en 1888, desde Odessa. Para ese entonces, sus abuelos paternos llevaban casi tres décadas en los Estados Unidos. El pequeño Marshall era el tercer hijo de un matrimonio que había alcanzado una buena posición económica durante la Primera Guerra Mundial fabricando y vendiendo uniformes de combate, sobre todo a Francia y Bélgica.

(...)

Cuando cumplió los 13 años, Marshall realizó el bar mitzvá –la ceremonia por la cual los judíos adquieren la mayoría de edad en términos religiosos– con el rabino

Zeev Nelson del templo Beth Jacob, de Norwich, una sinagoga que había sido fundada en 1929. Aquella oportunidad en que leyó los libros sagrados del judaísmo fue la primera vez que habló en un púlpito para los feligreses. Casi al mismo tiempo, el pequeño Meyer ingresó en la Norwich Free Academy para cursar la escuela media. No sólo se destacaba en los estudios regulares, también en las clases de teatro, de educación física y de música. Desde muy chico, Marshall se había convertido en un entusiasta melómano, contagiado por su cuñado Karl Meyers, quien había dirigido en Alemania el Teatro de Opera Königsberg.

(...)

Las innovadoras ceremonias religiosas que oficiaba Meyer en la sinagoga Bet El, de Belgrano, también estaban impregnadas de ópera. El rabino –según describió alguna vez Jacobo Timerman– tenía una voz de barítono que sobresalía entre todas las demás. "En las actuales ceremonias de Bet El –confiesa el rabino Daniel Goldman– todavía cantamos algunas arias que Marshall había adaptado al hebreo." En el departamento que los Meyer ocupaban en la calle Zapiola, de Belgrano, la música funcionaba como un bálsamo en los oscuros años de la dictadura. Un imponente piano de cola presidía un living de importantes dimensiones y el rabino era capaz de ponerse a cantar para levantarle el ánimo a más de un perseguido por la dictadura militar que se refugiaba en su casa. "Cuando tuvimos que partir, fue muy repentino. Teníamos pocas horas. Marshall trató de darnos ánimo y nos dijo: 'Vengan a comer algo a casa'. Debemos haber llegado con unas dos horas de retraso y él tenía un bastón y un sombrero de paja y nos cantó maravillosas canciones de vaudeville", recordó Robert Cox, entonces director de The Buenos Aires Herald, uno de los poquísimos medios de comunicación que denunció las violaciones a los derechos humanos cometidas por la dictadura militar. Cox –que debió exiliarse en Carolina del Sur, Estados Unidos– calificaba al rabino como un ser erudito, capaz de invocar tanto a los profetas como a Shakespeare y lo definía como una mezcla de los compositores estadounidenses Leonard Bernstein y George Gershwin.

Una de las hijas de Meyer, Dodi, también recuerda aquella noche que combinaba la angustia del fugitivo con la celebración por la supervivencia: "Amenazaron a los chicos de Cox, trataron de secuestrarlos y se salvaron por un pelo. Esa misma noche vinieron a casa e hicimos una gran fiesta para ellos, decoramos la casa con banderas de Estados Unidos y todo. Luego se fueron".


28.7.10

Museu Chagall em Nice

Marc Chagall "recebeu" dos franceses esse museu em sua homenagem ainda em vida, um caso singular. A sala com as obras que parecem pular da Biblia  é emocionante...e por mais que se tenha visto o artista em locais distintos, e em obras mais grandiosas, esse lugar é especial, o azul dos Alpes Maritimes, antessala da Provence, brilhando do lado de fora, no alto e no mar, e a gente pensando na perenidade da arte, e na vitalidade desses homens geniais que sobreviveram aos maiores contratempos (para não falar nas tragédias do século XX). No momento, o Museu Chagall tem uma mostra especial sobre o direito e o avesso, o lado reverso das coisas... Mais em http://www.musee-chagall.fr/.

No mais, estou "en vacances" e volto no fim de agosto, hopefully! 

Brunch musical

Recebi de Marcel Gottlieb: 

Carissimos,

Estarei fazendo um Brunch musical, em que o tema é a musica judaica. Quem se interessar deve reservar o mais breve possível, porque só tem lugar para 20 pessoas.

Coloco a seguir (como sempre) os vídeos que serão passados.

Está ótimo, não é necessário conhecimento musical, nem de cultura judaica, ao contrário, está feito para que possamos abrir mentes em outros horizontes:

"Contribuição Judaica ao Mundo da Música - ontem e hoje"

Pianistas: Rubinstein, Horowitz, Barenboim
Violinistas: Heifetz, Oistrakh, Shaham
Compositores: Gershwin, Simon & Garfunkel

[]'s
Marcel


Programação:

Pianistas do passado:

1. Chopin: Polonaise "Heroica", Op.53
Arthur Rubinstein
Pasadena, CA - USA 1980

2. Schumann: Traumerei - Kinderszenne
Vladimir Horowitz
Moscou, Russia 1986

Pianista do presente:
3. Chopin: Noturno em ré menor, Op.27 n.2
Daniel Barenboim
Teatro Colón, Buenos Aires, Argentina 2000

Violinistas do passado:

4. Paganini: 24o Capricho Op.1
Jascha Heifetz
New York, USA 1954

5. Sibelius: Noturno Op.51 n.3
David Oistrakh
Hall do Conservatório de Moscou, Moscou 1972

Violinista do presente:
6. Sarasate: Fantasia sobre "Carmen" de Bizet Op.25
Gil Shaham
Berlim, Alemanha 1997

Compositor do passado:
7. Gershwin: "Summertime", da ópera "Porgy and Bess"
Kathleen Battle
Metropolitan Museum, New York USA 1991

Compositores do presente:
8. Simon & Garfunkel: "The Sound of Silence"
Paul Simon & Art Garfunkel
Central Park, New York USA 1981

13.7.10

Um Bibliotecário Escravo - de Paulo Blank *

Sentados ao redor da mesa de jantar e deixando o pensamento vagar por diferentes assuntos, os amigos aproveitavam a noite fresca da casa em Botafogo quando alguém, achando a conversa um tanto vadia, infiltrou uma palavra-bomba disfarçada de pergunta inocente. Permaneci calado e fingi que não era comigo. Existem assuntos que, na minha idade, evito discutir. Sem considerar o meu silêncio, uma delas correu atrás do meu olhar e quando o encontrou disse cheia de certeza que, em definitivo, entendeu o problema palestino depois de ter assistido “Nossa Música”, um filme do Godard. Segundo concluiu de um diálogo do filme, a razão de tudo era a falta de poetas em Israel. Dito isto calou-se à espera da minha reação.

Entretido com a sobremesa e com a taça de um saboroso Tokai que o anfitrião compartilhava conosco, levantei o olhar da torta alemã e respondi que aquilo não era pergunta, era resposta. Pensando em voltar a me ocupar do  néctar reluzindo na taça de cristal, dei,inutilmente, a pergunta por respondida.Nem bem retomei a trajetória do garfo em direção à torta quando fui impedido de prosseguir no meu gesto por uma explosão que encheu a noite de gritarias que não pararam mais. Palavras como sionismo e nazismo eram pitéus saboreados com raro prazer apesar da sobremesa tão elogiada. Um dos presentes, antropólogo recém chegado do estrangeiro, quando foi possível, comentou que em suas viagens pelo mundo cansou de ver este assunto, o conflito Israel e palestinos, tirar do sério muitos intelectuais de renome, tornando-os incapazes de qualquer julgamento equilibrado. Coisa que considerei normal.

Em plenos anos dourados, eu era um garoto que brincava carnaval no bloco do sujo e corria com a meninada sobre o chão de pé de moleque na vila em que vivíamos na Rua de Sant’Anna da Praça Onze. Ali, bem no centro do Rio, volta e meia me perguntavam por que não me benzia quando passava um enterro. Quando a minha mãe, judia polonesa que fugiu de sua querida Varsóvia em julho de 1939, me flagrou tentando dar uma resposta à pergunta persistente, vaticinou com ar de quem conhecia aquela prova: “Não adianta, eles não vão te entender”.

Quando ela usava a palavra “entender” eu já sabia que ela estava me dizendo que existem situações onde a razão não funciona. O ouvinte, prisioneiro de alguma crença, não consegue alcançar o entendimento do outro. O outro deixa de fazer diferença, faça ele o que fizer. Talvez tenha sido por isso que a Sarita,uma amiguinha da vila e muito mais inocente do que eu, quando quis aderir à malhação do Judas, foi afastada por ser judia e assassina de Deus. Enquanto isto, respaldado na sabedoria materna, eu só saia de casa no sábado de Aleluia depois de ver o fantoche de pano abandonado bem em frente da nossa porta para acabar de arder. Quando as labaredas terminavam e os ânimos se acalmavam, eu voltava à brincadeira na rua passando por cima das cinzas que a mãe varreria no abrigo da noite.

Hoje, teimando em desobedecer à Dona Malka, me pego pensando se as crianças da vila de Sant’Anna não estariam dramatizando um ritual onde acusavam e puniam os judeus pelo crime de matar um Deus que, isso ninguém lhes contava, era tão judeu quanto Judas? Submetendo Judas às pauladas e ao fogo, repetiam o que no passado foi feito aos judeus vingando o assassinato de Deus. Trabalho mental e cultural onde as palavras precisam denunciar e disfarçar com a ajuda de jogos e ritos o mesmo ódio que a qualquer hora pode explodir na mente de pessoas equilibradas. Como aconteceu na Europa culta e racionalista na segunda guerra mundial.

Será que o Ocidente conseguirá um dia desfazer a judaização do judeu enquanto sinônimo de maldade? A palavra judiar não desvela uma cultura que fundiu maldade-satanás-judaísmo numa cadeia de significações cravada no seu mundo mental e afetivo? No Pessach os judeus não costumavam raptar um menino cristão e assassiná-lo com os mesmo suplícios do Deus-menino-Jesus? Na sexta feira da paixão de Cristo, quando depois dos sermões o povo invadia o bairro judeu para vingar com sangue e fogo o eterno morrer e ressuscitar de Jesus, o que faziam não era tornar real o drama encenado na vila de Sant’Anna? Não foi Santo Agostinho que, a propósito de Jesus e os Judeus, ensinou que estes “coroaram-no de espinhos, aviltaram-no cuspindo-lhe na face, flagelaram-no, transpassaram-no com uma lança” acrescentando que, com “na sua dispersão e sua desgraça são um povo testemunha do demônio e da verdade cristã, subsistem para a salvação da nação cristã, mas não para a própria”. Foi assim que ele criou a doutrina do Povo Testemunha.

Os Judeus deveriam sofrer sem ser destruídos para validar permanentemente a verdade da Igreja. Mas, ao ditar esta razão, aceita, difundida e aprimorada ao longo dos séculos, sem perceber, Agostinho equiparava o suplício dos judeus ao sofrimento do Jesus que eles reviviam em seus corpos submetidos à dor. Agostinho, o grande pensador católico, também desenvolveu outra doutrina que se tornou importante na historia das relações da igreja com os de Israel. Segundo aquela doutrina eles seriam o “Bibliotecário Escravo” carregador das antigas Escrituras para provar que estas caducaram na medida em que o filho mais novo triunfara sobre o mais velho.

Diante de tal imaginário cultural quem sou eu para tentar conversar sobre um conflito que arranca as pessoas de seu equilíbrio racional em qualquer lugar do mundo ocidental e cristão?

Bem que a minha mãe me avisou.

( Rio, entre 2007 a 2008 )

Paulo Blank é psicanalista e escritor.

11.7.10

Memória da AMIA

A luta contra a impunidade no caso da AMIA (Associação Mutual Israelita Argentina) prossegue, 16 anos depois do atentado de 18 de julho.  

Há uma exposição na própria
AMIA, da artista plástica Agustina Galarraga, sobrinha de uma das vítimas; um mural em frente ao edifício da  SIGEN, Sindicatura General de la Nación; o popular Centro Cultural Recoleta exibe "Acciones por la Memoria", integrada por diferentes objetos que a AMIA produziu nos últimos anos em cada aniversário; e o Centro Cultural Rojas mostra fotografias feitas logo depois do atentado.  


Um novo objeto foi criado  pelo Laboratório Elea: trata-se de um álcool em gel que convida a pessoa a livrar-se dos germes, sem lavar as mãos, metáfora da luta para que o tema não seja esquecido e os criminosos sejam punidos. O objeto será distribuído pelas cadeias FarmaPlus e TKL.


Abaixo, post no site http://www.pluraljai.com.ar/  
(de José Adaszko)

ERAN padres, hijos, tíos, abuelos, sobrinos, amigos, vecinos, estudiantes, obreros, amas de casa, profesionales. PUDIERON SER padres, abuelos, tíos, amigos, vecinos, estudiantes, obreros, amas de casa, profesionales.
 
Se cumplen 16 años del criminal atentado terrorista de AMIA.
 
MEMORIA Y JUSTICIA son dos componentes esenciales en la historia de los pueblos.
 
VERDAD, MEMORIA Y JUSTICIA, sin esas premisas ninguna sociedad tiene futuro, por lo cual una vez mas las reclamamos.
 
Primero fue la Embajada de Israel. Luego la AMIA. Sin el esclarecimiento y la condena a los culpables siempre la sociedad Argentina estará expuesta a un nuevo magnicidio.
 
La impunidad tiene la misma gravedad que el atentado por lo cual exigimos: VERDAD, MEMORIA Y JUSTICIA. Por las víctimas del atentado, por el futuro de nuestros hijos y nietos, clamamos por: VERDAD, MEMORIA Y JUSTICIA.

Ópera em Tel Aviv

Do meu querido "correspondente" em Tel Aviv, o brasileiro Moises Rosenberg, recebo o vídeo que em uma semana foi assistido por 200 mil pessoas no youtube.

9.7.10

Lançamento de livro de Jacksohn Grossman

4.7.10

Crucificação - Imagens inéditas em museu judaico

(Chagall - Apocalipse em Lilás)


Cross Purposes - Shock and Contemplation in Images of the Crucifixion. Com esse título, a galeria Ben Uri, do Museu de Arte Judaica de Londres, produziu uma pioneira exposição (em cartaz até 19 de setembro). É a primeira vez que um museu judaico no mundo mostra a representação da crucificação, tema evitado até o fim do século XIX pelos artistas judeus (e pelos islâmicos).

Na mostra estão representados 21 artistas do século XX, entre eles os judeus Samuel Bak (sobrevivente do Holocausto, lituano, vive hoje em Israel), Emmanuel Levy (inglês) e Marc Chagall (com o quadro recentemente descoberto 'Apocalypse en Lilas'). As obras expostas fogem da iconografia estritamente religiosa, em geral edificante, para dar lugar a expressões de angústia e a comparações que envolvem questões políticas. O público se inquieta e se espanta.

O quadro de Emmanuel Levy, de 1942, foi um  protesto em sua época, auge da Segunda Guerra, quando muitos artistas judeus ingleses se exasperavam diante da demora do seu governo em admitir publicamente o extermínio dos judeus na Europa.

Cristo com o xale ritual e os filactérios na cruz, a palavra ‘Jude’ (‘Judeu’) escrita em sangue acima de sua cabeça, e as fileiras de cruzes brancas compondo a paisagem, ecoam o martírio de cristãos, mas também o martírio judaico, já que no momento da pintura milhões estavam sendo enviados à morte nos campos de extermínio.

A galeria possui outros importantes artistas judeus ingleses, como Solomon J. Solomon, Mark Gertler e Jacob Epstein. O quadro mais popular de Emmanuel Levy ali é (ao lado) Dois Rabinos com as Tábuas da Lei.